Como a inteligência artificial já está presente na sua vida

Talvez você não tenha se dado conta, mas as máquinas e os robôs inteligentes chegaram ao seu cotidiano.

O despertador do seu celular toca. Você levanta, escolhe uma roupa e vai para a cozinha preparar o café da manhã. Enquanto come, aproveita para dar uma olhada nas redes sociais e saber o que está rolando entre seus amigos e as principais notícias do dia que está começando. Termina o café, entra no carro e, antes de sair, confere no aplicativo como está o trânsito e qual o melhor trajeto para chegar ao trabalho. Você pode nem ter percebido, mas muito do que você fez nos primeiros minutos da manhã só foi possível por causa da inteligência artificial.

Também chamada de AI, a inteligência artificial busca reproduzir a inteligência humana em computadores. Por meio da análise de milhões de dados, as máquinas são capazes de perceber variáveis, tomar decisões e resolver problemas. São softwares e robôs que operam em uma lógica semelhante ao raciocínio. Essa ideia ainda pode parecer um tanto futurista, mas já está bem presente e provocando verdadeiras transformações nas mais diversas áreas. “Quando você escolhe um filme em uma plataforma de streaming, é a inteligência artificial que está sugerindo quais são os títulos que provavelmente você vai gostar. O aplicativo de trânsito também usa tecnologia para definir a melhor trajetória a seguir naquele momento. As notícias e mensagens apresentadas na linha do tempo das redes sociais também são definidas por meio da inteligência artificial. O agronegócio utiliza para avaliar a qualidade do solo e definir qual cultura plantar em determinada época do ano. Nos automóveis, ajuda a melhorar o desempenho permite a existência dos sistemas de navegação. No comércio online, oferece opções de compra”, enumera o professor André Carlos Ponce de Leon Ferreira Carvalho, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP), membro do Advanced Institute for Artificial Intelligence (AI2).

Ou seja: na cadeia produtiva da roupa que você veste ou do alimento que você consome, há uso da inteligência artificial em um ou mais momentos. “É uma tecnologia essencial, tão importante como a eletricidade. A indústria está pegando a inteligência artificial para tudo porque ela pode melhorar como a gente acessa, recebe e transmite informações. Aos poucos, ela está entrando na vida da gente e fazendo muitas coisas”, afirma Rico Malvar, um dos cientistas-chefe da Microsoft Research.

Mesmo em tecnologias que a gente já usa com frequência, como fazer uma busca na internet, há inteligência artificial. Qualquer que seja o termo que você procurar, as respostas mostradas a você serão diferentes daquelas apresentadas a qualquer outra pessoa que more na sua casa. Por meio da inteligência artificial, o buscador avalia uma série de dados seus (como seu histórico de navegação, de consumo e todas as suas atividades online) para oferecer as opções que façam mais sentido para o seu perfil, que é diferente do perfil da sua mãe ou do seu irmão. Se der preguiça de (ou você realmente não puder) digitar a informação que está buscando, como a previsão do tempo ou o resultado do jogo do seu time, você já pode usar a tecnologia dos assistentes virtuais. Ativada por comando de voz, ela responde às suas perguntas e realiza tarefas básicas, como fazer ligações, buscas na internet, emitir lembretes e programar o despertador. “Estamos nos acostumando agora com os computadores que conseguem conversar, mas a gente já pensava nisso há mais de 30 anos”, diz Malvar.

Tecnologia dá segurança às operações bancárias

Se é mais fácil perceber que existe inteligência artificial no computador que fala com você, há outras situações do seu cotidiano em que ela está um pouco mais escondida, mas não menos presente. Uma delas é quando você usa o cartão de crédito. Sabe aquela mensagem que chega no seu e-mail ou no seu celular avisando que houve uma compra fora do padrão e pede que você entre em contato com o banco para confirmar se foi você mesmo que realizou aquela movimentação? Ela é enviada automaticamente por um robô que, alimentado pela inteligência artificial, conhece todo o histórico do seu cartão e identifica quando ocorre algo suspeito. “Não existe hoje cartão de crédito no mundo que exista sem inteligência artificial”, destaca Marcelo Labre, diretor-executivo do banco Morgan Stanley, de Nova York, e também membro do AI2.

Labre explica que, além de dispositivos de segurança como esse, as informações reunidas pelos robôs podem ajudar empresas a identificar perfis de consumidor. “Por exemplo, você recebe em casa uma carta oferecendo desconto em uma concessionária. Você nem sabe de onde veio aquilo, mas pode ter sido seu banco que identificou e indicou via inteligência artificial que você está pronto para comprar um carro”, descreve o diretor-executivo do Morgan Stanley.

Os processos internos das instituições financeiras também estão cada vez mais aplicando a inteligência artificial. A tecnologia é usada para realizar desde análise de classificação de crédito dos clientes, na área regulatória (para elaborar modelos com menos risco) e até mesmo na área legal, com robôs que fazem a leitura de contratos. “O crescimento do uso de inteligência artificial é exponencial, há novidades todos os dias. Estamos no início, acredito que ainda não vivemos nem 20% das transformações que estão por vir”, avalia Labre.

Inteligência artificial ajuda a salvar vidas

O amplo armazenamento e análise de dados proporcionado pela inteligência artificial têm feito a diferença também na área da saúde, com ganhos que vão do diagnóstico ao tratamento. Um dos exemplos já em uso é a aplicação da AI para a realização de tomografia dos pulmões, exame capaz de identificar a embolia pulmonar, uma condição grave e que pode levar a morte se não tratada imediatamente. A inteligência artificial consegue detectar de forma automática a presença da embolia e emite uma notificação para o grupo médico que está presente, agilizando a realização de alguma intervenção urgente. “Tivemos o caso de uma paciente jovem, de 42 anos, que fez o exame e o resultado era positivo. A solução de AI avisou a equipe, o médico viu o exame, ligou para o médico da paciente, fez o laudo, notificou a paciente e ela foi encaminhada diretamente para o pronto socorro. Tudo isso em 20 minutos. Era um exame que poderia ser deixado em uma fila de laudos e ter levado horas ou mesmo dias para ser analisado”, conta Gustavo Meirelles, radiologista e gestor médico do Grupo Fleury.

Ainda que a AI não possa substituir a sensibilidade de um ser humano, ela é capaz de perceber detalhes que médico algum poderia ver. Em breve, será possível usar máquinas para analisar milhares de exames e detectar automaticamente padrões que podem mostrar problemas que o olho humano não enxergaria. “A AI pode analisar 50 mil tomografias, por exemplo, e perceber que toda vez que o paciente apresenta um pontinho em tal lugar, há relação com um câncer. São padrões de semelhança que darão muitos ganhos em diagnóstico”, explica o gestor médico do Grupo Fleury.

E se você percebeu que seu médico anda um pouco mais atento a você e menos preso ao computador enquanto pergunta sobre sua saúde, saiba que isso também pode ser um efeito da inteligência artificial. A tecnologia libera o profissional de tarefas monótonas e repetitivas como a atualização de prontuários e a análise inicial de muitos exames. “A AI tem sido utilizada para avaliar exames e separar o que é normal do que não é. Ela consegue entregar uma pré-análise, com dados e medidas que o profissional valida depois”, relata Meirelles. Assim, a consulta médica tende a ser cada vez mais humanizada e voltada para o paciente, pois as máquinas já terão feito boa parte das tarefas que hoje precisam ser realizadas pelo médico, que agora pode ficar com o trabalho mais nobre.

É bom você estar preparado, pois há muito mais chegando por aí. Em breve, assistentes virtuais poderão ouvir reuniões de trabalho, transcrever o que está sendo dito em texto e traduzir para diversas línguas. Consultas médicas também poderão ser acompanhadas pelas máquinas, que irão apresentar um relatório de tudo o que foi dito, com todos os termos técnicos explicados e as características do paciente listadas. “São tarefas que exigem inteligência, mas que na verdade é um desperdício colocar um cérebro humano para fazer”, pontua Rico Malvar, da Microsoft Research.

Se avançarmos ainda mais no futuro, os carros não só vão ter uma tecnologia que identifica o risco de ele sofrer algum problema, permitindo uma manutenção preventiva, mas também serão autônomos, sem a necessidade de motorista. Eles circularão em cidades inteligentes, trocando informações com uma gigantesca rede. “Nesse caso, a inteligência artificial é o coração de tudo”, explica Thiago Neves, especialista em estratégia de inovação digital na Volkswagen, empresa que já inova ao usar essa tecnologia no manual cognitivo, um assistente virtual que orienta e facilita a vida do motorista.

Enquanto esse dia não chega, é bom usarmos nossos nobres cérebros humanos para pensar em soluções que permitam a boa convivência entre máquinas e pessoas. “É preciso uma combinação de esforços entre quem pesquisa AI e os estudiosos das ciências humanas para avançarmos nessa discussão”, conclui Carvalho.

  •  Fonte : https://g1.globo.com/especial-publicitario/inovacao/noticia/2019/07/05/como-a-inteligencia-artificial-ja-esta-presente-na-sua-vida.ghtml
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